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Capela do Morumbi recebe instalação inédita da artista mineira Laura Belém

25.Jul.2015

Artista articula arquitetura e diferentes histórias da edificação centenária em “Anekdota”, instalação em que cobre de grama o piso da capela e reconstrói a fachada no nível do chão. Abertura no dia 9 de maio, sábado, às 11 horas

O Museu da Cidade inaugura no dia 9 de maio de 2015, sábado, às 11 horas, na Capela do Morumbi, a exposição “Anekdota”, de Laura Belém. A artista mineira se vale das histórias sobre as origens do local e desvirtua o sentido de espaço interno e externo, cobrindo de vegetação a nave da capela e reconstruindo a fachada de alvenaria dos anos 1940 no nível do solo.

Ao relacionar de um modo livre a ausência de documentação factual sobre a origem e uso precípuo do local, bem como suas lacunas temporais, Laura promove uma espécie de entropia e reafirma a subjetividade da história: no interior da Capela vê-se o recorte e a reprodução da parede frontal de alvenaria, assentada no chão. Essa arquitetura atravessa a nave central da Capela e sai pela lateral direita, de forma que a torre (o seu duplo) encontra-se na parte externa. O jardim, por sua vez, é trazido para o interior da Capela, ocasionando uma contigüidade entre interior e exterior, como “Adentro” (2012) e “Pampulha” (2002), trabalhos em que realiza ação similar.

O título “Anekdota” vem do vocábulo grego ἀνέκδοτον, que significa literalmente “o que não foi publicado”. O percurso semântico dessa palavra é notável e remete, primeiramente, à Roma justiniana, ao Renascimento tardio, à linhagem dos Médicis em Florença e, por fim, à França do século XVII. Seu deslocamento de gênero historiográfico sem fontes para a atual “anedota” se deve, em grande parte, à língua francesa que, já no século XVII, passou a adotar a palavra nesse sentido.

Tal qual numa anedota, narrativa oral inconclusiva em que coexistem diversos pontos de vista, Laura parece ter a sua história para esse espaço plástico sobre o qual pairam tantas interpretações. Não importa o que digam, nem o que façam: tudo se arruína ou, ainda, tudo se transforma.

Um pouco de história

Sob projeto e direção do arquiteto modernista Gregori Warchavchik, a edificação, com paredes de alvenaria erguidas sobre ruínas de taipa de pilão, nunca funcionou como capela. Como poucos sabem, a construção não se baseou numa recuperação de uma antiga capela, uma vez que não há nenhum documento histórico que comprove que o local tenha sido um santuário. Se preferir, acesse o site: http://www.museudacidade.sp.gov.br/capeladomorumbi.php para mais informações.

A Capela do Morumbi recebeu 113 projetos desde o início dos anos 1990, quando passou a ser utilizada como espaço artístico sob os cuidados da Secretaria Municipal de Cultura. Entre os artistas que ali realizaram trabalhos destacam-se Carlos Fajardo, Iole de Freitas, Dudi Maia Rosa, Sergio Sister, Carmela Gross, Carlos Vergara, José Resende, Leonilson, Nelson Leirner, Albano Afonso, Sandra Cinto, Daniel Acosta, Carlos Eduardo Uchôa, Wagner Malta Tavares, Ana Paula Oliveira, Guto Lacaz, Laura Vinci, José Spaniol, Marcelo Moscheta, a dupla Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti, Alexander Pilis, Maurício Ianês, Tatiana Blass, Lucia Koch, Iran do Espírito Santo e Felipe Cohen.

Serviço:

“Anekdota”, instalação da artista Laura Belém
Abertura: 09 de maio, sábado, das 11h às 16h
Período expositivo: 09 de maio a 30 de agosto de 2015

Capela do Morumbi
Avenida Morumbi, 5387, Morumbi – São Paulo
Telefone: (11) 3772 4301
Horário de Funcionamento: de terça a domingo, das 9h às 17h
Entrada gratuita e livre

Fonte: Museu da Cidade de São Paulo

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