D. Escobar - Hecha la ley, hecha la trampa (3)

Daniel Escobar no Hangar, em Barcelona

08.Fev.2017

“Hecha la ley, hecha la trampa, ou: o contrabando como uma alternativa” é um projeto que recupera uma das estratégias idealizadas por Lucy Lippard no final dos anos 1960, a que chamou de “Suitcase shows” e que consistia no feito de levar em sua bagagem obras de arte conceitual de um país a outro. No entanto, o projeto acrescenta a esta estratégia o conceito de contrabando, a fim de colocar em xeque, ao mesmo tempo, a ideia de fronteira e seus dispositivos de controle; joga, assim, tanto com o fato de a arte ser uma mercadoria em potencial, quanto lança luz à sua possível condição de objeto banal, justamente a condição que permite levá-la em meio a outros objetos pessoais da bagagem, sem que seja necessário declará-la ou pagar pelas taxas impostas por lei para o seu trâmite.
Para efetuar o contrabando, a proposta prevê que os trabalhos produzidos fora da Espanha possam ser vendidos a preços populares em ações expositivas que terão lugar em um mercado popular de Barcelona ou Madrid, ao longo da residência de investigação curatorial. Durante a residência, o curador trabalhará conjuntamente com os artistas selecionados, situados em Barcelona, e seus trabalhos também serão posteriormente contrabandeados ao Brasil para que se possa repetir ações expositivas semelhantes no país.
O projeto, que será realizado no Hangar, em Barcelona, conta com a curadoria de Maykson Cardoso, em colaboração com Olivia Ardui e com artistas cujos trabalhos tangenciam, de alguma maneira, o tema das fronteiras: Andrea Gómez (Colômbia), Alejandra Avilés (México), Carlos Monroy (Colômbia), Daniel Escobar (Brasil), Eliana Beltrán (Colombia), Gian Spina (Brasil), Maria Sabato (Argentina), Mano Penalva (Brasil), Nuno Cassola (Portugal), Rafael Perez Evans (Espanha-País de Gales) e Tali Serruya (Argentina).
Parte dos resultados da residência curatorial e das ações expositivas será apresentada no site ArtSpy e durante a programação paralela da Feira Internacional de Arte Contemporânea – ARCO -, em Madrid. Posteriormente, outras ações serão desenvolvidas no Rio de Janeiro e/ou São Paulo, em mercados populares e/ou espaços independentes.

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P.Motta - Naufragio calado 0003

Pedro Motta na CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais

05.Jan.2017

Estado da Natureza
Curadoria José Roca

Em sua individual na CâmeraSete, Pedro Motta propõe novos desmembramentos de sua pesquisa sobre a tênue linha entre elementos naturais e o comportamento humano, seus atritos, convergências e suas relações.
“Flora Negra é uma grande instalação, fruto de uma residência na Colômbia em 2015, Flora Ars + Natura, Motta desenvolve uma narrativa entre duas séries de trabalhos. Cria um diálogo com imagens fotográficas e desenhos a grafite onde o ator Klaus Kinski é representando por dois personagens icônicos em filmes de Werner Herzog: Fitzcarraldo (1982) e Aguirre a Cólera dos Deuses (1972). Esses dois personagens, exploradores e aventureiros, adentram no território amazônico penetrado com motivações muito diferentes, mas com uma determinação perto do delírio. Digitalmente montadas na paisagem de Honda e ao redor de Bogotá, eles parecem apontar para a dificuldade inerente a todo explorador (incluindo o artista) compreender um território até então desconhecido, sem cair na armadilha de exotismo.” (Trecho extraído da apresentação de Jose Roca, no site da Flora, 11/2015). Sobre essas fotografias sobressaem 6 caixas com plantas artificiais totalmente cobertas de preto, sugerindo uma situação de aprisionamento e claustrofobia.
Cria-se, assim, uma narrativa de dois tempos e duas histórias distintas, mas com o propósito de convergir e discutir ações oriundas de transformações da natureza, seus limites e suas potencialidades.

Falência # 2, 2016, série criada especialmente para o espaço, são imagens de diversos tipos de erosões resultantes das águas das chuvas. Suas formas são provenientes de um tempo oculto em que a natureza demonstra sua força e beleza pela destruição. Neste momento a terra esta totalmente desprovida de estrutura, criando uma espécie suturas escultóricas. Neste trabalho a metodologia empregada na construção da imagem final é resultante de outra série, o Espaço Confinado. Pequenas quantidades de terra são inseridas dentro da moldura, uma vez que no Espaço Confinado a sensação de confinamento e claustrofobia era aparente, agora, em Falência#2, é como o espaço superficial da foto se esvai para um lugar no campo do infinito, uma espécie de ampulheta.

Fazendo uma interligação na exposição, especificamente entre duas series, Falência e Sumidouro, Paisagem Transposta é composta por diversas imagens de paisagens naturais provenientes de redutos naturais modificados pelo ação do homem. Pequenos galhos fazem a conexão entre estes espaços.

Composta por 12 imagens, a série Sumidouro, 2016, faz uma metáfora ao espaço em que foi concebido, o Rio das Mortes. Importante rio da região do Campo das Vertentes, famoso pelas histórias de garimpo e batalhas territoriais,

Naufrágio Calado, 2016, série composta por 12 imagens de grande formato segue o mesmo procedimento que o artista emprega em seus trabalhos. Manipulação digital e o confronto entre os elementos naturais e humanos. Barcos ressurgem de cemitérios de navios de uma região específica da Bretanha, Roscanvel e são inseridos em paisagens tomadas por erosões de grandes dimensões.

Finalizando a exposição é apresentado um pequeno trabalho intitulado Frutos Estranhos. De cunho referencial e afetivo, esta imagem provem de uma remota lembrança de quando o artista visitava com sua família a região da gruta da Lapinha, MG, importante sítio arqueológico brasileiro. Ao logo do caminho existia uma senhora, D. Lora, doceira espetacular, que decorava pequenas árvores do serrado com ovos, provenientes de suas feituras. Esta marcante imagem, impregnada de simbologia e lembrança culmina em uma tentativa de trazer um tempo passado no imaginário coletivo.

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Eder Santos no Palácio das Artes

20.Dez.2016

Estado de Sítio – Eder Santos
Objetivos

O multiartista Eder Santos traduz a mineiridade em arte-tecnologia, sem deixar de lado o tom crítico ou a poesia. A exposição Estado de Sítio traz para a Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, de 23 de novembro a 22 de janeiro, mais do que um chamado à reflexão sobre o estado de exceção sugerido pelo nome.

As seis obras expostas, sendo quatro inéditas, passeiam – com suporte tecnológico utilizado como pincel – pelo barroco, a religiosidade, o desejo e a culpa, pelo corpo-produto-sexualizado do homem contemporâneo, pelas tensões sociopolíticas da atualidade, sem, claro, deixar de lado o cinema e o vídeo, que acompanham o artista desde a infância.

Eder Santos mantém firme a proposta de envolver as pessoas em um mundo de ideias e reflexões, sempre questionando o momento em que vivemos. Além de colocar a tecnologia a serviço da arte, o artista não abre mão da delicadeza, mesmo na abordagem de temas impactantes. O peso de imagens que provocam é contrabalançado por fina e irônica poesia.

SOBRE AS OBRAS
Cascade é a instalação que abre a mostra. Em cena, uma cascata de televisões jorra imagens criadas por Eder em parceria com o também videoartista Leandro Aragão.

Já a instalação que batiza a exposição, Estado de Sítio, mostra o banho de um homem a partir de imagens projetadas em um monólito de vidro. Em cena, o ser exibido, narciso, que assiste ao seu reflexo estremecer no espelho d’água, no monólito que continuamente recebe e repele o reflexo nu.

Todos os Santos é uma série na qual o artista cria, à sua maneira, representações de santos e santas com o compromisso de atravessar as fronteiras das religiões em um gesto genuinamente popular. Eder avança por sobre o sincretismo religioso mineiro para fazer provocações e homenagens.

A religião está presente ainda em A Casa dos Sinais Flutuantes, espécie de visão pós-moderna do conceito das casas de Ex-Votos, espaços das igrejas onde os devotos pagam promessas e/ou agradecem as graças alcançadas. São utilizados negatoscópios, equipamentos que permitem médicos lerem os raios-x do corpo humano, para sobrepor aos raios-x de imagens que revelam o sentimento religioso, a culpa e o desejo.

Integram a exposição litogravuras, inéditas, do artista e ainda a videoinstalação (não inédita) Distorções Contidas, que faz alusão a uma das principais obras de Marcel Duchamp, O Grande Vidro. São projetadas, em duas janelas feitas com lâminas de vidro, imagens fragmentadas de uma mulher e de um homem nus descendo uma escada.

As transformações da linguagem cinematográfica são questionadas por Eder Santos na obra Cinema, grande projeção que imita uma sala de cinema. Durante a mostra, uma tela no final da Grande Galeria exibirá continuamente dois filmes: Cinema (2009) e Pilgimage (2010).

Fonte: site da Fundação Clóvis Salgado

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Manuel Carvalho na Celma Albuquerque

15.Dez.2016

Bala de Agulhas
Manuel Carvalho
Projeto Mezanino

A Celma Albuquerque apresenta em seu Projeto Mezanino exposição individual de Manuel Carvalho intitulada Bala de Agulhas na qual o artista apresenta sua produção recente.

A exposição Bala de Agulhas, do artista Manuel Carvalho, apresenta obras de três séries distintas: Anacolutos, Empate e Paisagens. Nesse conjunto de obras é possível perceber um dos traços constitutivos do seu trabalho, a heterogeneidade. Sobre essa heterogeneidade se assenta um paradoxo: não apenas são vários os percursos apontados, mas há alguns elementos duradouros que marcam o traço autoral dessa poética. No entanto, esses traços duradouros são também marcados pela heterogeneidade: Do Anacoluto Manuel Carvalho retém a irrupção de se interpõe à sintaxe linear – a linha que se quebra, as massas de cor que se sobrepõem, as referências figurativa que partem de universos distintos e contraditórios. Há tudo isso nessa série, marcada sobretudo por um conjunto de técnicas que cria um deslocamento constante entre figuração e elementos que barram sua fruição, massas de cor, planificações, etc. Mas há mais: um dos elementos compositivos essenciais da pintura de Manuel de Carvalho, o espectador. Não apenas os jogos ópticos atordoantes, que desfazem a estabilidade do olhar, mas um arsenal matreiro de referências que permanecem elípticas convivem, constituindo uma ameaça perene e recíproca ao universo de sentido de onde partem. As pinturas de Manuel Carvalho, nas séries em questão, incluem construção formal e sua dissolução: o desvio pelo corpo que caracteriza a série Paisagens, no qual o híbrido em questão, figuração e abstração, constrói-se menos por um caminho conceitual do que pela superfície de massas de cor que excitam sobretudo uma fruição estritamente sensível. Ao final, o que move essas obras é a paixão pela pintura como forma de expressão de corpo e pensamento.

Ewerton Belico

Manuel Carvalho concluiu seu bacharelado em artes plásticas pela Escola Guignard – UEMG. Participou de residências no Jaca (Jardim Canadá), 2015, em parceria com Warley Desali; Agora (Bela Scrva, Servia), em 2014; e no EXA (Belo Horizonte), em 2013. Em parceria com Gustavo Maia foi selecionado para 1º Prêmio Itamaraty de arte contemporânea em 2011. Participou de exposições individuais como Empate (Mama/Cadela galeria), 2014, Belo Horizonte; Da pintura (BDMG cultural) 2014, Belo Horizonte. Dentre as diversas exposições coletivas merecem destaque: Antimônio, (Mama/Cadela Galeria), 2014, Belo Horizonte; 50 gramas de copo, em parceria com Warley Desali (Aliança Francesa), 2014, Belo Horizonte; MAPA:\ (manutenção em procedimentos e apropriações), 2013, Belo Horizonte; Atropelamento (Centro Cultural UFMG), 2011, Belo Horizonte; Encontros e Mestiçagens Culturais (FAOP), 2010, Ouro Preto; Draw drawing 2 – London Biennale (Foundry Gallery), 2006, Inglaterra.

Crédito da imagem: Daniel Mansur

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Daniel Bilac na Celma Albuquerque

29.Nov.2016

Quero que você me deteste
Daniel Bilac

A Celma Albuquerque apresenta individual de Daniel Bilac intitulada Quero que você me deteste. As obras que compõem a exposição trazem representados elementos aparentemente desconexos. Bombas de gás lacrimogênio, helicópteros e policiais fardados dividem as composições com objetos domésticos e personagens infantilizados. Para o artista, esse inventário de imagens tão vasto e diverso dialoga com a presença cada vez mais trivial de diferentes formas de violência no cotidiano das cidades.

Entre o ridículo e o precário
Para Daniel, o ano de 2016 foi um marco decisivo no que considera um abalo do diálogo como ferramenta de conciliação. Nas disputas simbólicas e políticas dos últimos meses, o artista identifica que “a agressividade e a intolerância estão abertamente presentes nos discursos conservadores. E mais: elas são expressas em símbolos deliberadamente infantilizados, como bonecos infláveis, caricaturas e mascotes”.

Sobrepostas às apropriações desses símbolos, os trabalhos também trazem rasuras: manchas de spray, riscos de carvão, garatujas e massas informes, que se aproximam da visualidade da pichação e de outras intervenções não oficiais no espaço público. De acordo com Daniel, essas marcas evocam “uma estética da resistência e da desobediência, o que não deixa de ser um rastro das disputas de poder na cidade”.

Esse conjunto de elementos convive, ainda, com representações de objetos domésticos e corriqueiros – “o apoio à violência, seja física, simbólica ou institucional, deixou de ser constrangedor ou chocante: está presente nas conversas, no telejornal policialesco e em toda a vivência cotidiana”, afirma o artista.

A mostra conta com obras de dimensões e formatos variados. Papéis, superfícies emborrachadas, chapas de madeira e tecidos são alguns dos suportes explorados. Além disso, muitos trabalhos têm sua estrutura de montagem aparente, deixando parafusos, cortes e emendas visíveis. “É uma precariedade material flagrante, mas também é um elemento de força”, conclui Daniel.

Daniel Bilac (1986) é artista visual formado pela Escola de Belas Artes da UFMG. Já realizou as individuais Monumento Vidraça Monumento Ruína (Centro Cultural São Paulo, 2015 e Memorial Minas Gerais Vale, 2014); Manual da espera (FAOP, 2013); Quando eu disser seu nome (Celma Albuquerque Galeria de arte, 2011) e Tudo o que tem dente morde (Galeria de Arte da Cemig, 2010).

Crédito da imagem: Daniel Mansur

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Exposição Estado de Naturez - Jeu Du Paume

Pedro Motta no Jeu de Paume

25.Out.2016

Obras da série Natureza das Coisas, de Pedro Motta, participam de coletiva Soulèvements, no Jeu de Paume, em Paris.

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