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Eder Santos no Palácio das Artes

20.Dez.2016

Estado de Sítio – Eder Santos
Objetivos

O multiartista Eder Santos traduz a mineiridade em arte-tecnologia, sem deixar de lado o tom crítico ou a poesia. A exposição Estado de Sítio traz para a Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, de 23 de novembro a 22 de janeiro, mais do que um chamado à reflexão sobre o estado de exceção sugerido pelo nome.

As seis obras expostas, sendo quatro inéditas, passeiam – com suporte tecnológico utilizado como pincel – pelo barroco, a religiosidade, o desejo e a culpa, pelo corpo-produto-sexualizado do homem contemporâneo, pelas tensões sociopolíticas da atualidade, sem, claro, deixar de lado o cinema e o vídeo, que acompanham o artista desde a infância.

Eder Santos mantém firme a proposta de envolver as pessoas em um mundo de ideias e reflexões, sempre questionando o momento em que vivemos. Além de colocar a tecnologia a serviço da arte, o artista não abre mão da delicadeza, mesmo na abordagem de temas impactantes. O peso de imagens que provocam é contrabalançado por fina e irônica poesia.

SOBRE AS OBRAS
Cascade é a instalação que abre a mostra. Em cena, uma cascata de televisões jorra imagens criadas por Eder em parceria com o também videoartista Leandro Aragão.

Já a instalação que batiza a exposição, Estado de Sítio, mostra o banho de um homem a partir de imagens projetadas em um monólito de vidro. Em cena, o ser exibido, narciso, que assiste ao seu reflexo estremecer no espelho d’água, no monólito que continuamente recebe e repele o reflexo nu.

Todos os Santos é uma série na qual o artista cria, à sua maneira, representações de santos e santas com o compromisso de atravessar as fronteiras das religiões em um gesto genuinamente popular. Eder avança por sobre o sincretismo religioso mineiro para fazer provocações e homenagens.

A religião está presente ainda em A Casa dos Sinais Flutuantes, espécie de visão pós-moderna do conceito das casas de Ex-Votos, espaços das igrejas onde os devotos pagam promessas e/ou agradecem as graças alcançadas. São utilizados negatoscópios, equipamentos que permitem médicos lerem os raios-x do corpo humano, para sobrepor aos raios-x de imagens que revelam o sentimento religioso, a culpa e o desejo.

Integram a exposição litogravuras, inéditas, do artista e ainda a videoinstalação (não inédita) Distorções Contidas, que faz alusão a uma das principais obras de Marcel Duchamp, O Grande Vidro. São projetadas, em duas janelas feitas com lâminas de vidro, imagens fragmentadas de uma mulher e de um homem nus descendo uma escada.

As transformações da linguagem cinematográfica são questionadas por Eder Santos na obra Cinema, grande projeção que imita uma sala de cinema. Durante a mostra, uma tela no final da Grande Galeria exibirá continuamente dois filmes: Cinema (2009) e Pilgimage (2010).

Fonte: site da Fundação Clóvis Salgado

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Manuel Carvalho na Celma Albuquerque

15.Dez.2016

Bala de Agulhas
Manuel Carvalho
Projeto Mezanino

A Celma Albuquerque apresenta em seu Projeto Mezanino exposição individual de Manuel Carvalho intitulada Bala de Agulhas na qual o artista apresenta sua produção recente.

A exposição Bala de Agulhas, do artista Manuel Carvalho, apresenta obras de três séries distintas: Anacolutos, Empate e Paisagens. Nesse conjunto de obras é possível perceber um dos traços constitutivos do seu trabalho, a heterogeneidade. Sobre essa heterogeneidade se assenta um paradoxo: não apenas são vários os percursos apontados, mas há alguns elementos duradouros que marcam o traço autoral dessa poética. No entanto, esses traços duradouros são também marcados pela heterogeneidade: Do Anacoluto Manuel Carvalho retém a irrupção de se interpõe à sintaxe linear – a linha que se quebra, as massas de cor que se sobrepõem, as referências figurativa que partem de universos distintos e contraditórios. Há tudo isso nessa série, marcada sobretudo por um conjunto de técnicas que cria um deslocamento constante entre figuração e elementos que barram sua fruição, massas de cor, planificações, etc. Mas há mais: um dos elementos compositivos essenciais da pintura de Manuel de Carvalho, o espectador. Não apenas os jogos ópticos atordoantes, que desfazem a estabilidade do olhar, mas um arsenal matreiro de referências que permanecem elípticas convivem, constituindo uma ameaça perene e recíproca ao universo de sentido de onde partem. As pinturas de Manuel Carvalho, nas séries em questão, incluem construção formal e sua dissolução: o desvio pelo corpo que caracteriza a série Paisagens, no qual o híbrido em questão, figuração e abstração, constrói-se menos por um caminho conceitual do que pela superfície de massas de cor que excitam sobretudo uma fruição estritamente sensível. Ao final, o que move essas obras é a paixão pela pintura como forma de expressão de corpo e pensamento.

Ewerton Belico

Manuel Carvalho concluiu seu bacharelado em artes plásticas pela Escola Guignard – UEMG. Participou de residências no Jaca (Jardim Canadá), 2015, em parceria com Warley Desali; Agora (Bela Scrva, Servia), em 2014; e no EXA (Belo Horizonte), em 2013. Em parceria com Gustavo Maia foi selecionado para 1º Prêmio Itamaraty de arte contemporânea em 2011. Participou de exposições individuais como Empate (Mama/Cadela galeria), 2014, Belo Horizonte; Da pintura (BDMG cultural) 2014, Belo Horizonte. Dentre as diversas exposições coletivas merecem destaque: Antimônio, (Mama/Cadela Galeria), 2014, Belo Horizonte; 50 gramas de copo, em parceria com Warley Desali (Aliança Francesa), 2014, Belo Horizonte; MAPA:\ (manutenção em procedimentos e apropriações), 2013, Belo Horizonte; Atropelamento (Centro Cultural UFMG), 2011, Belo Horizonte; Encontros e Mestiçagens Culturais (FAOP), 2010, Ouro Preto; Draw drawing 2 – London Biennale (Foundry Gallery), 2006, Inglaterra.

Crédito da imagem: Daniel Mansur

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Daniel Bilac na Celma Albuquerque

29.Nov.2016

Quero que você me deteste
Daniel Bilac

A Celma Albuquerque apresenta individual de Daniel Bilac intitulada Quero que você me deteste. As obras que compõem a exposição trazem representados elementos aparentemente desconexos. Bombas de gás lacrimogênio, helicópteros e policiais fardados dividem as composições com objetos domésticos e personagens infantilizados. Para o artista, esse inventário de imagens tão vasto e diverso dialoga com a presença cada vez mais trivial de diferentes formas de violência no cotidiano das cidades.

Entre o ridículo e o precário
Para Daniel, o ano de 2016 foi um marco decisivo no que considera um abalo do diálogo como ferramenta de conciliação. Nas disputas simbólicas e políticas dos últimos meses, o artista identifica que “a agressividade e a intolerância estão abertamente presentes nos discursos conservadores. E mais: elas são expressas em símbolos deliberadamente infantilizados, como bonecos infláveis, caricaturas e mascotes”.

Sobrepostas às apropriações desses símbolos, os trabalhos também trazem rasuras: manchas de spray, riscos de carvão, garatujas e massas informes, que se aproximam da visualidade da pichação e de outras intervenções não oficiais no espaço público. De acordo com Daniel, essas marcas evocam “uma estética da resistência e da desobediência, o que não deixa de ser um rastro das disputas de poder na cidade”.

Esse conjunto de elementos convive, ainda, com representações de objetos domésticos e corriqueiros – “o apoio à violência, seja física, simbólica ou institucional, deixou de ser constrangedor ou chocante: está presente nas conversas, no telejornal policialesco e em toda a vivência cotidiana”, afirma o artista.

A mostra conta com obras de dimensões e formatos variados. Papéis, superfícies emborrachadas, chapas de madeira e tecidos são alguns dos suportes explorados. Além disso, muitos trabalhos têm sua estrutura de montagem aparente, deixando parafusos, cortes e emendas visíveis. “É uma precariedade material flagrante, mas também é um elemento de força”, conclui Daniel.

Daniel Bilac (1986) é artista visual formado pela Escola de Belas Artes da UFMG. Já realizou as individuais Monumento Vidraça Monumento Ruína (Centro Cultural São Paulo, 2015 e Memorial Minas Gerais Vale, 2014); Manual da espera (FAOP, 2013); Quando eu disser seu nome (Celma Albuquerque Galeria de arte, 2011) e Tudo o que tem dente morde (Galeria de Arte da Cemig, 2010).

Crédito da imagem: Daniel Mansur

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Exposição Estado de Naturez - Jeu Du Paume

Pedro Motta no Jeu de Paume

25.Out.2016

Obras da série Natureza das Coisas, de Pedro Motta, participam de coletiva Soulèvements, no Jeu de Paume, em Paris.

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Celma Albuquerque na ArtRio 2016

28.Set.2016

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Claudia Jaguaribe na Celma Albuquerque

12.Set.2016

A visão e o sentido
Claudia Jaguaribe

A Celma Albuquerque apresenta A visão e o sentido, uma instalação fotográfica de Claudia Jaguaribe, em que a artista traz ao público trabalhos de séries distintas nas quais a cidade, seus habitantes, e as relações que estabelecem são os objetos de pesquisa. Por ocasião da exposição, a artista e o curador Agnaldo Farias participarão de conversa na galeria.

São Paulo, uma síntese possível por Agnaldo Farias
A visão é um sentido tranquilizador. Reconhecemo-nos no que vemos. Um apaziguamento de espírito amplificado pela facilidade com que hoje se fotografa. Será mesmo? Claro que não. Pensemos nas cidades; pensemos, como Claudia Jaguaribe, em São Paulo. Inabarcável, acelerada e angustiante.
Não se deixa capturar por imagens, porque sua maior e melhor parte revela-se a partir do interior dessas construções.
Por isso o trabalho de construção e reconstrução da imagem é necessário.

O trabalho da artista Claudia Jaguaribe aborda uma grande diversidade de formatos numa pesquisa plástica aonde expande as possibilidades da fotografia. Suas fotos se tornam objetos, a tridimensionalidade volta a ser imagem e o movimento se torna uma fonte de luz fixa.
Nesta exposição Claudia reúne trabalhos de diferentes séries sobre a cidade, mostrando uma grande diversidade de formatos e suportes. São fotografias aéreas, fotografias em formato panorâmico, imagens em formato que remetem a azulejos, fotoesculturas e esculturas que voltam a ser fotos.
O principal objeto da sua pesquisa é a construção e desconstrução da nossa visão trazendo novos sentidos para como vemos a cidade e a arquitetura.
Este conjunto de trabalhos com diferentes abordagens nos traz uma urbes concreta e construída e também um sentido que ainda não totalmente compreendemos.
É uma visão viva, pulsante com permanentes surpresas para o espectador. É um convite a refletir sobre a própria dificuldade de se entender a cidade e como nos inserimos nela.
Os trabalhos são um recorte de quatro séries: Série “Na laje”, Série “Bienal”, “Sobre São Paulo” e Série “Entrevistas”. Estas últimas são também dois livros com o mesmo título, editados pela ED Madalena 2013 e 2014.

Claudia Jaguaribe nasceu no Rio de Janeiro, mora e trabalha em São Paulo. Sua formação é em história da arte, artes plásticas e fotografia. Tem um trabalho extremamente representativo das práticas multifacetadas e da diversidade da fotografia contemporânea.
Sua produção se caracteriza por uma intensa pesquisa plástica que utiliza diferentes mídias, como fotografia, vídeo, internet e instalações, para lidar com diversas questões da contemporaneidade. Desta forma, seus trabalhos são realizados em variados formatos e meios de produção, desde a prática fotográfica em estúdio até fotos documentais posteriormente trabalhadas, além de desenvolver uma grande pesquisa sobre a materialidade da imagem, trazendo uma visão desconcertante sobre a própria natureza da fotografia.
Entre diversos temas de seu interesse aborda a questão da paisagem como reinvenção da natureza na série “Quando Eu Vi” e nas séries de paisagens urbanas como “Amor Concreto”, sobre a cidade de São Paulo, e “Paisagem Construída”, antigo título da série “Entre Morros”. Em 2010, “Paisagem Construída” foi nomeada para o prêmio Pictet de fotografia e incluída no livro Growth, editado pela teNeus.
Também naquele ano Claudia recebeu o prêmio Marc Ferrez de fotografia da Funarte pelo projeto “O seu caminho”. Tem doze livros publicados, além da participação em diversos volumes em conjunto com outros artistas. Seu livro Aeroporto foi selecionado na edição Fotolivros latino-americanos, (Cosac Naify, 2011). O livro EntreVistas foi eleito como um dos melhores fotolivros de 2015 pelo Kassel Photobook Festival e pela Revista Zum indicado pelo curador Agnaldo Farias em 2015.
Suas obras estão na coleção de importantes acervos institucionais, como do Inhotim – Instituto de Arte Contemporânea e Jardim Botânico, Brumadinho (MG); Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP); Coleção Pirelli do Museu de Arte de São Paulo (Masp-SP); Maison Européenne de la Photographie, Paris; Istituto Italo-Latino Americano (IILA), Roma; Itaú Cultural-SP, São Paulo; Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto (SP) Victoria and Albert Museum , Londres ; assim como em coleções particulares.
Em 2013 fundou a Ed Madalena em conjunto com Iatã Canabrava e Claudi Carreras que se tornou uma referencia internacional para fotolivros da América Latina.

Crédito da imagem: Daniel Mansur

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