Daniel Escobar – A História Mais Curta
jun - jul 2015


Daniel Escobar - a história mais curta, 2015

DANIEL ESCOBAR
A HISTÓRIA MAIS CURTA, 2015

daniel escobar - a história mais curta, 2015

DANIEL ESCOBAR
A HISTÓRIA MAIS CURTA, 2015

daniel escobar - a história mais curta, 2015

DANIEL ESCOBAR
A HISTÓRIA MAIS CURTA, 2015

daniel escobar - a história mais curta, 2015

DANIEL ESCOBAR
A HISTÓRIA MAIS CURTA, 2015

Daniel Escobar - A História Mais Curta, 2015

Daniel Escobar
A História Mais Curta, 2015

A Celma Albuquerque Galeria de Arte apresenta A História Mais Curta, individual de Daniel Escobar que reúne um conjunto de obras recentes e projetos inéditos desenvolvidos especificamente para a mostra.

“A casa própria, o carro novo, a roupa cara, a obra de arte exclusiva. Quanto tempo leva para seu sonho material se tornar ruína? Em A História mais curta Daniel Escobar aborda cinicamente artimanhas ilusionistas da publicidade para apresentá-las como um dos motores do acelerado movimento de consumo e descarte que sustenta – e devora – o mundo atual. Seguindo uma tradição artística iniciada nos anos 1960, suas propostas surgem de observações sobre a cidade e suas dinâmicas truncadas, cujos tropeços permitem que obras conceituais operem como intervenções reais, fora do meio da arte”. As palavras da curadora Daniela Labra dão o tom da pesquisa e das questões levantadas pelo trabalho de Daniel Escobar.

A obra cujo título dá nome à exposição consiste num letreiro de LED em que se repetem, incessante e simultaneamente, as palavras lançamento e liquidação. Não há lapso temporal entre a exibição dos dois termos, que nos invadem com brilho forte que atrai e hipnotiza como mariposas em direção à luz. Consuma agora, rápido, de forma irrefletida e automática: é o que o mundo espera de nós e o que nos valida atualmente.

Em Todos os nossos desejos (2015), grandes painéis remetem a fogos de artifício e ao clima mágico de celebração; afinal, a vida é uma festa e você é convidado de honra. O que nos cativa e ilude, no entanto, não passa de incontáveis confetes recortados de cartazes publicitários já sem utilidade. A beleza efêmera de um show pirotécnico é reproduzida a partir da organização meticulosa de estilhaços subtraídos dos ditos “sonhos de consumo” que mobilizam a vida contemporânea.

Uma análise de materiais publicitários do mercado imobiliário muniu o artista de um conteúdo que, deslocado do contexto propagandista, se mostra frágil e patético. Em A Especulação Imobiliária (2014), um conjunto de caixas de acrílico lembra perfis de edifícios e estão parcialmente preenchidas com réplicas de peças de jogos infantis de construção, feitas com o papel impresso de alta qualidade retirado dos folders dos lançamentos. Ao contrário do que se poderia imaginar, o interior dessas caixas não traz maquetes de mundos ideais, mas seu desmoronamento, numa referência ao próprio vazio das promessas ofertadas pelos prospectos. Já na série A Nova Promessa (2015), a qual alude aos tênues sonhos consumistas do trabalhador médio, o artista explora o esvaziamento da linguagem pela publicidade ao bordar, com fios de ouro, frases extraídas de campanhas publicitárias sobre volantes de loteria. Nestas obras Escobar se vale do impacto visual obtido pela repetição e pelo acúmulo de bilhetes de loteria, bem como da aura que cerca tais pedaços de papel nos quais é depositada a esperança de fortuna fácil e abundante, e de frases de efeito presentes à exaustão nos mencionados materiais publicitários que induzem à compra ao apelarem para a vaidade. Sentenças como – Você Merece o Melhor; e O poder absoluto da sua satisfação, entre outras – surgem de forma velada e atraente nos painéis criados pelo artista.

Como destaque da mostra, duas intervenções discutem a situação do próprio sistema de arte à luz da voracidade do mercado e seus meandros sempre controversos. Em Antecipe-se ao Lançamento (2015), o artista apropria-se de uma das principais estratégias comerciais no mercado imobiliário, a venda antecipada. Um conjunto de projetos que reúne características físicas e imagens meramente ilustrativas torna possível a aquisição de obras antes mesmo que estas existam. Produzida para a individual, a obra Letra de Câmbio (2015), letreiro de latão dourado com os dizeres “COMPRO OURO”, se apresenta ostensivamente na fachada da galeria, local em que são expostas e comercializadas obras de arte, bens que, assim como o ouro, carregam em si valor intrínseco e são considerados especiais. O que, muitas vezes esquecemos, é que este valor a eles atribuído foi dado por nós mesmos e só é validado pelo desejo que os cerca e que também emana de nós. Retroalimentando esse sistema, somos dele vítima e algoz.

Daniel Escobar participou de residências artísticas no Brasil e no exterior e possui obras em coleções importantes como a da Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre; Coleção de Arte da Cidade de São Paulo; Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte e Museu de Arte Moderna da Cidade de São Paulo. Recebeu o Prêmio Aquisição do Programa de Exposições do CCSP, São Paulo (2013) e o Prêmio Funarte de Arte Contemporânea, Belo Horizonte (2011), além das indicações para o Prêmio Investidor Profissional de Arte – PIPA (2014) e Prêmio CNI/SESI Marcantônio Vilaça para as Artes Plásticas (2009).