Eder Santos – Boxing the Game – Quatro Videoinstalações com Soluções Práticas para seus Refúgios Emocionais
out - dez 2008


EDER SANTOS – BOXING THE GAME – QUATRO VIDEOINSTALAÇÕES COM SOLUÇÕES PRÁTICAS PARA SEUS REFÚGIOS EMOCIONAIS, 2008

EDER SANTOS
BOXING THE GAME – QUATRO VIDEOINSTALAÇÕES COM SOLUÇÕES PRÁTICAS PARA SEUS REFÚGIOS EMOCIONAIS, 2008

Quase um ano depois de sua primeira individual no Museu de Arte da Pampulha (MAP), o videoartista mineiro Eder Santos faz sua primeira individual numa galeria da cidade. A Celma Albuquerque mostra, de 28 de outubro a 28 de novembro, a exposição Boxing the Game – Quatro Videoinstalações com Soluções Práticas para seus Refúgios Emocionais. O artista, que acaba de retornar de exposições em Palma de Maiorca, Espanha, e Frankfurt, Alemanha, apresenta quatro trabalhos, três inéditos.

Em comum, a marca registrada de Eder Santos, a tecnologia e as novas mídias a serviço da poesia. Em todos os trabalhos, ele aprisiona suas imagens, seja em caixas de música, em uma janela, em oratórios ou em um aquário.
Caso da série composta por três oratórios. No primeiro deles, batizado de La Virgene in Orazzione, Eder Santos faz homenagem “à geração de mães de uma época em que as mulheres eram obrigadas a ser virgens por toda a vida, subjugadas aos maridos, prisioneiras, que sofriam/sofrem como santas”. Emoldurado por flores, o oratório traz bela imagem da mãe do artista, com sobreposições de um vídeo com uma mulher nua (da cantora e modelo mineira Bruna Tangari) e efeitos visuais que traduzem clima etéreo.

O segundo oratório, com caixa em estilo neoclássico, abriga imagens de um São Sebastião (o ator Daniel Viana) amarrado a um tronco, que tem o sexo ora coberto, ora descoberto em meio a efeitos visuais. Eder Santos conta que, neste caso, o homenageado são os homossexuais que, muitas vezes, por esconder sua opção sexual, padecem também como santos.

Para fechar a série de oratórios o artista propõe ao espectador que “seja santo por um segundo”. A peça, que terá uma câmera voltada ao visitante da mostra e um espelho, fará com que o espectador se veja dentro do oratório, em meio às imagens criadas por Eder, “podendo, dessa forma, também se colocar na posição de santos”. Os oratórios têm em média 30 x 50cm.

Uma pequena caixa de música contendo um Arlequim e uma Colombina deu origem ao outro trabalho que o artista vai mostrar em BH. São quatro caixas semelhantes à caixinha, porém maiores (30 x 60cm). Batizada de Soap Opera (novela), a série também mostra pessoas prisioneiras de suas escolhas. Na primeira, no lugar do Arlequim e da Colombina, o que se vê é um casal de atores. “É uma novela em quatro capítulos, que mostra a tênue linha entre o amor e o ódio.

Em uma delas há uma briga de casal, uma história trágica”, afirma Eder. A segunda caixa é batizada de A Bela e a Fera. “O gorila Idi Ami, do Zoológico de BH, está em um vagão de circo. A bela é uma cantora e atriz, que vive em depressão, uma Britney Spears. A caixinha é uma penteadeira da Barby, com o vídeo da cantora projetado no espelho”, resume o autor, acrescentando que o dinheiro arrecadado com a venda da obra será doado para Idi Amim e servirá para ajudar a encontrar uma namorada para o gorila. A última caixa, Commitment (compromisso), é como um porta- retrato, onde é exibido o vídeo de uma foto que se rasga.

Distorções Contidas é o nome do terceiro trabalho. Em cena duas janelas feitas com lâminas de vidro, nas quais serão projetadas imagens de uma mulher fragmentada descendo a escada. “É uma alusão a trabalhos de Marcel Duchamp, como O grande vidro”, explica o artista mineiro. A última instalação apresentada na mostra da Celma Albuquerque por Eder Santos é Low Pressure, que foi montada na exposição do Museu de Arte da Pampulha (MAP), no final do ano passado. E esteve também em uma feira de esportes nas Astúrias, Espanha. São três aquários que exibem/abrigam imagens sincronizadas de um homem mergulhando. “A primeira idéia era de que ele fosse um prisioneiro, tentando sair de um aquário. Depois, veio o revezamento 3×1. E o deslocamento. Ele está dentro e, de repente, não está. Pode mergulhar e sair do lugar”, explica o artista.