José Bento – A primeira vez
abr - mai 2010


José Bento - A primeira vez, 2010

José Bento
A primeira vez, 2010

José Bento - Primeira Vez, 2010
José Bento - Primeira Vez, 2010
José Bento - Primeira Vez, 2010

Pela primeira vez o artista plástico José Bento, mais conhecido pelo seu trabalho escultórico em madeira, realiza uma exposição individual sem a presença do material.

O artista que nasceu na Bahia em 1962, mas sempre viveu e trabalhou em Belo Horizonte traz para a Celma Albuquerque Galeria de Arte três trabalhos inéditos: a série fotográfica que dá título à exposição “A primeira vez”, a escultura interativa “The Cure” e a instalação “Up”. Todos inéditos, realizados em 2009 e criados especialmente para a mostra solo.

Os trabalhos nasceram simultaneamente e foi depois de concretizar seus estudos e maquetes que o artista percebeu a unidade entre eles e resolveu mostrá-los juntos.

É importante salientar três características marcantes na exposição: a ausência da madeira, a presença da cor e da figuração. O artista continua seu processo escultórico só que dessa vez se liberta definitivamente da madeira (o que não significa que a abandonou) e utiliza materiais diversos como aço, acrílico, imãs, cabos de aço, pílulas coloridas.

“The cure” veio primeiro: uma espécie de mesa com 3 metros de diâmetro que contém 50.000 cápsulas coloridas de placebo que migram sobre ela a partir da interação do público. Esse grande tampo está encaixado a uma agulha de aço parafusada no chão e sob ele um timão de aço permite que várias pessoas movimentem a mesa. “Simbolicamente o trabalho me faz pensar em geografia, migração populacional, multidão, coletivo. Remete a questões universais da humanidade, fora a questão cromática, muito forte no trabalho” diz o artista.

“A primeira vez” é uma série de sete fotografias editadas a partir de quase 200 que o artista fez ao longo de sete dias da construção e inauguração de uma praça em frente a seu ateliê. Nesse trabalho a escultura está presente na percepção do artista. A ocupação do espaço com tapumes, a retirada dos mesmos e depois a invasão do público e o tempo do acontecimento. Cheio e vazio, elementos clássicos no campo escultórico.

“Up”, literalmente o ponto alto da exposição, consiste em uma instalação onde quatro estruturas para gangorras, nas cores azul, verde, amarela e vermelha sustentam dez balanços também nessas cores. Uma força magnética atua sobre os balanços construídos pelo próprio artista e faz com que os mesmos flutuem no ar. São imãs, muita matemática e física. Um trabalho de incrível fragilidade, mas que apresenta uma enorme força invisível, a atração dos imãs e, mais uma vez, elementos próprios do fazer escultórico: peso e tensão. São de certa maneira relevos espaciais: cor no espaço flutuando.

A questão cromática permeia toda a exposição. A cor é elemento essencial nos três trabalhos. É também a primeira vez que o artista assume a pintura, a cor, que passa a ser tão importante quanto os elementos escultóricos. No inicio de sua carreira, anos 80, Bento realizou experiências com pintura, antes mesmo do desenho e da escultura. Mais tarde, trabalhando com escultura sua vontade de usar a cor foi manifestada em pequenas torres de madeira e vidro com pigmento e com as partes pintadas para exaltar a figuração das maquetes de palito de picolé. Mas ficou por aí e agora ele assume por completo esse interesse seja pelo azul do céu nas fotos, nas gangorras coloridas ou nas capsulas variadas.

A exposição que traz catálogo com texto do curador Tiago Mesquita revela anseios entre a figuração e o simbólico, a transformação dos objetos da vida cotidiana, a utopia e o mistério, o invisível e o desejo humano de conhecer o que há acima de nós. Essas são reflexões que José Bento nos traz e marca definitivamente um novo começo em sua trajetória.