Leda Catunda – Trabalhos recentes
mar 2013


Leda Catunda - Exposição Trabalhos Recentes, 2013
Leda Catunda - Exposição Trabalhos Recentes, 2013
Leda Catunda - Exposição Trabalhos Recentes, 2013
Leda Catunda - Exposição Trabalhos Recentes, 2013
Leda Catunda - Exposição Trabalhos Recentes, 2013
Leda Catunda - Trabalhos recentes, 2013

Leda Catunda
Trabalhos recentes, 2013

A Celma Albuquerque Galeria inaugura o calendário 2013 com a exposição individual da artista paulista Leda Catunda. A mostra intitulada ‘Leda Catunda – Trabalhos Recentes’ reúne pinturas, gravuras e colagens.

Formada na Faculdade Armando Álvares Penteado (FAAP) em 1984, Leda queria ser roqueira, sendo que se considerava pouco apta para desenhar. Seus professores de graduação a introduziram no universo de arte conceitual, como bem se observa nas suas primeiras obras de litografia. No mesmo ano da sua formação, integrou a famosa exposição Como Vai Você, Geração 80?, sediada na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro. Ganhou amplo destaque nacional após a mostra, despertando a atenção da crítica especializada em função da contestação que suas obras exprimiam em relação à arte conceitual dos anos setenta. Além de pintora, artista multimídia e gravadora, Catunda lecionou na FAAP de 1986 a meados da década de 90. A artista apresenta um percurso que contabiliza três Bienais de São Paulo (1983, 1985 e 1994) e grandes mostras coletivas como Modernidade (Paris, 1987), Artistas Latinos-Americanos do Século 20 (Museu de Arte Moderna de Nova York, 1993) e Mostra do Redescobrimento (São Paulo, 2000). Fez doutorado em poéticas visuais na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, em 2001.

Leda Catunda – Trabalhos Recentes por Leda Catunda

Trabalhando com apropriação de imagens e pintando sobre materiais presentes no cotidiano, como tecidos estampados e objetos moles, tipo toalhas e cobertores, meu olhar comumente se dirige ao gosto das pessoas. Observo que há nas escolhas que fazem uma forte relação entre gosto e conforto, numa procura legítima direcionada pelo desejo de recompensa, acreditando na liberdade de escolha de consumidor comum, de se fazer rodeado daquilo que lhe apraz. Assim, frequento lojas populares onde a gente escolhe objetos pra suas casas, pra sua vida, estampados com imagens de todo tipo. A relação entre gosto e conforto, presente na visualidade cotidiana, é o que mais me interessa, sendo expressa de maneira espontânea na nossa sociedade super consumista, situando o antigo “belo” dos séculos XIX e XX muito além de qualquer fronteira conhecida.

Na elaboração do novo conjunto de obras que apresento na exposição na Galeria Celma Albuquerque, mantenho a atitude de me apropriar de materiais que já contenham imagem, cor e textura. Esse “empréstimo” de imagens e significados através do uso de materiais impressos vem sendo uma característica presente no meu percurso desde o princípio nos anos oitenta. No entanto, mais recentemente, depois de realizar uma retrospectiva na Estação Pinacoteca em São Paulo em 2009, pensei que precisava mudar o trabalho e comecei a pintar sobre materiais produzidos em função do mundo dos esportes em geral. Além de imagem e cor, possuem texto: nomes de times, números dos jogadores e também patrocinadores de todo tipo. Me interessa a atitude franca da pessoa que torce, que elege um esporte, seja skate, futebol, bike ou basquete. É um universo com regras próprias, símbolos fortes que facilitam a criação de um canal intenso de identificação pessoal, seu time, sua cor, seu hino… Canal esse que, paralelamente e inevitavelmente levará o sujeito ao que venho chamando de consumo feliz ou consumo sem culpa. Os objetos, que vão desde o boné, a camiseta, o tênis, a toalha, o cobertor, a faixa, a sacola, vêm todos com a marca do time ou do atleta de devoção, o que justifica plenamente a ação de aquisição, e assim o sujeito pode usufruir dos prazeres da relação já previamente estabelecida entre consumo e mérito. Essa visualidade se espalha dos canais de TV diretamente para as ruas, envolvida em atividades de lazer e tudo mais. No entanto, o ponto de interesse da pesquisa é o novo lugar do gosto e do belo. O símbolo do patrocinador, por exemplo, que há poucos anos atrás se procurava esconder, disfarçar, vem agora em destaque, triunfante, ocupando espaços com cores brilhantes muitas vezes contrastando ruidosamente com a cor da camisa do time. Também as marcas, como Adidas, Nike e Umbro, independentemente do desenho ou da cor, ganham significados onde se associam a idéias de confiabilidade, segurança e qualidade, e alcançam toda uma mística invariavelmente ligada ao consumo. Há um comportamento padronizado que a sociedade de massa propõe a esse novo consumidor contente. Minha atitude não chega a ser exatamente crítica, tampouco enaltecedora. Mantenho uma observação carinhosa sobre a aparente “loucura” e “insensatez”, sobre a necessidade nervosa do sujeito de ver-se identificado com alguma imagem.