Liliane Dardot – Habitável?
ago - set 2011


Liliane Dardot - Habitável?, 2011

Liliane Dardot
Habitável?, 2011

Quatro anos depois de sua última individual, em 2007, a artista plástica Liliane Dardot volta à galeria Celma Albuquerque para apresentar seus trabalhos mais recentes. A exposição, que será inaugurada dia 18 de agosto, revela o desdobramento de um percurso iniciado em Belo Horizonte na década de 1970, e consolidado durante o período de 12 anos em que viveu em Olinda (Pernambuco) e após a volta a Minas Gerais na década de 90.
A artista mais uma vez surpreende o público com uma instalação nomeada interrogativamente “Habitável?” que se apropria do generoso espaço da galeria, ocupado por um conjunto de sete cubos suspensos a pouco mais de um metro do chão. Esses volumes, cuja constituição sugere a textura de membranas – no que ratificam a identificação visceral da artista com o mundo natural –, são construídos em folhas de papel translúcido.
Os cubos serviram como suporte para desenhos em pincel, em tinta preparada especialmente com pigmentos e cinzas. Articuladas e dobradas, as folhas se erigem em paredes de abrigos frágeis onde é possível ao visitante penetrar a partir da face inferior dos cubos e assim posicionar-se dentro dos próprios desenhos.
“Vistas do interior de cada um desses cubos, as inscrições feitas na face superior e nas laterais são reveladas pela luz externa e se mostram no tempo sedimentar do crescimento dos desenhos, onde não se reconhecem o verso e o anverso, que se fundem”, revela a artista.

Simulacros
Além desses, estão distribuídos pelo espaço da galeria outros “Habitáveis?” menores, semelhantes a cápsulas ou sementes volantes, que flutuam suspensos no ambiente, e que também podem ser “visitados”. De acordo com a artista, “neles somente nossa cabeça pode penetrar e o impacto subjetivo é o de estarmos isolados, habitando uma dimensão paralela”.
Do interior dessas cápsulas, através de frestas abertas como venezianas nas suas paredes laterais, “é possível vislumbrar o mundo que deixamos para trás, ou fragmentos de outros mundos possíveis sugeridos por imagens iluminadas”.
Integra também a exposição um conjunto de caixas de luz que funcionam como suporte para fotografias em back light de simulacros de corpos celestes. Elas interagem com os objetos circundantes estabelecendo com esses uma estreita articulação no espaço expositivo, o que proporciona ao espectador uma dupla perspectiva de observação, do lado de fora ou a partir do interior dos “Habitáveis?”.

Liliane Dardot é natural de Belo Horizonte, tendo se graduado em Belas Artes pela Universidade Federal de Minas Gerais, instituição onde também foi professora. No início de sua carreira, na década de 1970, dedicou-se preferencialmente ao desenho, tendo participado de mostras e recebido premiações em salões de arte em Belo Horizonte e outras capitais. Manteve um fértil contato com a linguagem das vanguardas no período de sua formação especialmente por meio de sua participação nos primeiros festivais de inverno da UFMG. Foi, nessa época, ilustradora do Suplemento Literário de Minas Gerais, criado por Murilo Rubião.
Em 1977 mudou-se para Olinda, Pernambuco, onde fez contato com os artistas congregados em torno de uma oficina de gravura inicialmente instalada na rua Guaianases, no Recife. Participou ativamente da constituição dessa sociedade de artistas, passando então a dedicar-se à litografia, sem contudo abandonar o desenho. Em sua casa-ateliê de Olinda iniciou o trabalho em pintura. Participou de exposições tanto em Recife quanto no Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, São Paulo, Fortaleza, Assunção, Paris e Vila do Conde (Portugal). Participou também de bienais nas cidades do México, Havana, Cali (Colômbia), San Juan (Porto Rico), Berlim e Bradford (Inglaterra).
De volta a Minas Gerais, em 1989, seu trabalho na pintura se diversifica e se concentra na atenção relativa à busca de uma construção da cor baseada em processos sedimentares e na interação da superfície pictórica com a luz incidente sobre ela. Com a sua reinserção no ambiente artístico de Minas Gerais, acontece também a retomada de suas atividades pedagógicas, tendo lecionado litografia, durante vários anos, na Escola Guignard.