Liliane Dardot – In verso
ago - set 2015


Liliane Dardot - Exposição In Verso, 2015
Liliane Dardot - Exposição In Verso, 2015
Liliane Dardot - Exposição In Verso, 2015
Liliane Dardot - Exposição In Verso, 2015
Liliane Dardot - Exposição In Verso, 2015
Liliane Dardot - In verso, 2015

Liliane Dardot
In verso, 2015

A Celma Albuquerque Galeria de Arte apresenta In verso, individual de Liliane Dardot que reúne um conjunto de obras recentes e um projeto inédito desenvolvido especialmente para o espaço da galeria.

A instalação exposta foi concebida a partir de duas grandes pinturas datadas de 1990 que ocupam grande parte da fachada da galeria. As obras foram criadas para a mostra Poética do acaso, durante o período de dois meses em Liliane que foi acolhida no espaço de um galpão industrial desativado, o emblemático “Galpão Embra”, que era então compartilhado por um grupo atuante de jovens artistas que também participaram da mencionada exposição.

Construídas com fragmentos de tecidos de algodão sobrepostos, as duas grandes telas que compõem a instalação trazem registros, em seus versos, da poeira do local onde foram realizadas e, consequentemente, da história do lugar e da produção artística que ali se desenvolvia. A investigação destas superfícies “contaminadas” pelo ambiente levou Dardot a redescobrir, em seu trabalho atual, uma poética que provocou o desafio de vivenciar um processo de interação com a memória das imagens contidas na pintura original.

Por meio de um processo derivado do registro manual da impressão litográfica em cores, a artista perfurou as telas originais, de modo a transferir para a outra face pontos de referência que orientaram a realização de novas pinturas, executadas agora no seu verso. Assim surgem, transfigurados, fragmentos significativos de elementos das pinturas originais operados pelo crivo da memória. Os orifícios correspondentes às perfurações servem espaço por onde a luz penetra constituindo pontos luminosos que passam a fazer parte integrante da obra.

Essas novas intervenções estabelecem um diálogo entre duas faces da pintura – anverso e verso – com o espaço e a luminosidade da galeria e também com outras pinturas recentes que compõem a mostra.

Nessas outras telas afloram as cores e imagens oriundas das percepções de elementos do ecossistema do cerrado que vem sendo registrados em desenhos por Liliane desde 1996. As cores são obtidas pela sobreposição de camadas sedimentares, sucessivas como na litografia. As superfícies coloridas interagem com a luz ambiente, provocando alterações de visibilidade conforme o ângulo de observação e a luz incidente.

Para além das imagens, as pinturas evocam, por meio de seus elementos concretos, sensações corporais, táteis e térmicas e vivências de espaço e de tempo, no território da memória.

Natural de Belo Horizonte, onde hoje vive e desenvolve seu trabalho, Liliane graduou-se pela EBA UFMG, instituição em que lecionou desenho entre os anos de 1969 e 1977. Residiu em Olinda, PE, de 1978 a 1989, tendo participado da criação da Oficina Guaianases de Gravura. Retornando a Minas Gerais em 1990, lecionou litografia na Escola Guignard até 1997. Desde 1968 participa em mostras coletivas e em salões em vários estados brasileiros entre os quais: 1979 Salão Nacional de BH, Figuração Referencial, MAP, BH; 1980 Salão Nacional de BH, MAP, BH; Panorama 80, MAC, SP e 3º Salão Nacional, RJ; 1983 14° Salão Nacional de Arte, MAP, BH; XXVI Salão de Artes (premiação), Centro de Convenções, Recife; 36° Salão Paranaense (premiação), e 23ª Mostra do Desenho Brasileiro (premiação), Curitiba; 1986 Jovem Arte Contemporânea, MAC, SP. Bienais Internacionais: 1980, 1986 e 1996 Ciudad de Mexico; 1981 Cali, Colômbia; 1981 e 1983 San Juan, Porto Rico; 1984 Bradford, Inglaterra e Habana, Cuba; 1990 Berlim, Alemanha.