Nuno Ramos – 3 lamas (ai, pareciam eternas!)
set - dez 2012


NUNO RAMOS - 3 Lamas (Ai, pareciam eternas !)

NUNO RAMOS
3 Lamas (ai, pareciam eternas!), 2012

Nuno Ramos- Exposição 3 Lamas, 2012
Nuno Ramos- Exposição 3 Lamas, 2012
Nuno Ramos- Exposição 3 Lamas, 2012
Nuno Ramos- Exposição 3 Lamas, 2012
Nuno Ramos- Exposição 3 Lamas, 2012
Nuno Ramos- Exposição 3 Lamas, 2012

A Celma Albuquerque Galeria de Arte abre, em agosto, a exposição 3 lamas (ai, pareciam eternas!), do artista paulista Nuno Ramos. O projeto vem sendo executado durante os meses de julho e agosto no próprio espaço da galeria, em Belo Horizonte. As primeiras soluções de montagem aconteceram em Nova Lima no ateliê do arquiteto Allen Roscoe, que é o responsável pela coordenação técnica. Trata-se de uma instalação na qual o artista vai, literalmente, quebrar todo o chão da galeria, escavando três grandes recipientes em escala real. O formato de cada uma das “piscinas” segue o desenho do terreno de algumas casas nas quais o artista residiu (a da mãe, da avó e a primeira do casamento). Cada uma delas será preenchida com um tipo de lama diferente em três cores: preta, branca e marrom. “Vou escolher partes de cada uma das casas que surgirão do chão. É como se a lama e o que está sobre ela fossem estágios diferentes da mesma matéria. Quase como se a casa tivesse voltado a ser novamente matéria”, explica. A obra faz referência a uma notícia inusitada de um homem que foi cavar um poço artesiano e acabou atingindo um vulcão, que passou a jorrar lava, inundando toda a região próxima ao buraco. Este mesmo projeto será reeditado pelo artista em Viena, na Áustria, no ano que vem.

“Lá vão, enxurrada abaixo
as velhas casas honradas
em que se amou e pariu,
em que se guardou moeda
e no frio se bebeu.
Vão no vento, na caliça,
no morcego, vão na geada.’’

O trecho faz parte do poema Morte das casas de Ouro Preto, de Carlos Drummond de Andrade – pela segunda vez Nuno faz dos versos uma referência para sua obra. Em ‘’Morte das casas’’, o artista fez chover no Centro Cultural Banco do Brasil, um forte impacto visual e sonoro para quem passou por lá. Em 3 lamas (ai, pareciam eternas!) o poema descreve perfeitamente o cenário :

‘’O chão começa a chamar
as formas estruturadas
faz tanto tempo. Convoca-as
a serem terra outra vez.’’

São 25 anos de carreira, completados este ano. Nuno desenvolve sua obra em diversas vertentes, não só nas artes plásticas, mas também no cinema, na música e na escrita. Graduado em filosofia pela USP, participou de diversas Bienais, escreveu livros, compôs canções e ganhou prêmios – em entrevista recente, ao ser perguntado como gostaria de ser lembrado diz que “Como artista, queria que as pessoas lembrassem de mim como um cara que errou muito, que buscou, tentou, não congelou a própria visão, que gostou da vida e aprontou bastante.’’