Projeto Mezanino: Rodrigo Freitas
jan - fev 2012


PROJETO MEZANINO: RODRIGO DE FREITAS, 2012

PROJETO MEZANINO: RODRIGO FREITAS
2012

“O ponto de partida da série a solidão das coisas é pensar sobre a incomunicabilidade e o distanciamento entre os seres. Fica evidente nas imagens a presença de corpos solitários, que povoam e dão a medida ao espaço pictórico. O processo de construção do trabalho surge a partir do registro fotográfico de uma cena montada em um ambiente doméstico. Este tipo de registro é mantido na pintura (em grande formato) pela estranheza do enquadramento, bem como, pela riqueza de detalhes. Interessa ao artista criar um ambiente homogêneo, em que corpo e objetos se confundem pelo mesmo tratamento pictórico.
Em todas as pinturas o corpo é abordado pela perspectiva do abandono, da inércia, envolto em um vazio de ações, mas sempre permeado pelas idéias de tempo, erotismo, solidão e morte. Nessa série de imagens há uma estaticidade mórbida, em que as figuras representadas na tela parecem conformadas com o espaço que ocupam. Fazem parte dele tal qual uma cadeira, um sofá ou qualquer outro móvel também representado. O que tais pinturas sugerem é um tempo dilatado no qual nada acontece, nada chega, nada cessa e nada é interrompido. A única coisa que parece possível e real é um presente desprovido de duração, em que as figuras e as coisas se misturam no contínuo vir a ser que nunca se efetiva sendo sempre incompleto e o desejo nunca saciado. Paira sobre as figuras uma contínua promessa que não se concretiza, senão conforme um eterno erigir de um obstáculo contra a morte através da repetição infindável de cenas cotidianas. O que persiste nessas pinturas é a náusea de um excesso que em si mesmo é apenas o vazio, ou talvez a manifestação às avessas de um drama. O cotidiano e o banal são permeados pelo nonsense, alguns poucos detalhes de enquadramento são o bastante para que instaure na imagem um desconforto e insinue uma situação insólita, no limite tênue entre o real e o absurdo.