Rochelle Costi – Desvios
jun - jul 2008


Rochelle Costi - Desvios, 2008

Rochelle Costi
Desvios, 2008

Rochelle Costi - Desvios, 2008
Rochelle Costi - Desvios, 2008
Rochelle Costi - Desvios, 2008
Rochelle Costi - Desvios, 2008

Produzidas para integrar um arquivo médico que pretendia avaliar os efeitos da operação corretiva em pacientes estrábicos, entre as décadas de 1930 e 1970, as fotografias de anônimos ganharam outra conotação, sob a ótica da artista plástica gaúcha Rochelle Costi. Originalmente, as imagens comparavam o antes e o depois deste tipo de cirurgia, em casos de sucesso estético e funcional. Na instalação batizada de Desvios, apresentada na Celma Albuquerque Galeria de Arte, as imagens ganharam outro sentido. A artista se apropria de cada um dos pares das fotos-documento para instalá-las em totens, frente e verso, abrindo questionamentos sobre as possibilidades de transformações físicas oferecidas na atualidade.

As reflexões em torno das diferenças provocadas pela alteração do eixo do olhar, pelos desvios de foco, pelas possibilidades da duplicidade da visão, além de questionamentos em relação ao padrão estético predominante, são alguns dos caminhos de compreensão oferecidos por esta obra. A transposição semântica e contextual das imagens de arquivo acontece graças aos totens de 2,10 x 1,10 metros – recurso amplamente usado pela publicidade –, dispostos pela galeria. O conjunto traz forte conotação biográfica.

A alteração do eixo do olhar é algo que acompanha a artista plástica Rochelle Costi desde a infância. Estrábica, ainda criança teve que se submeter às terapias corretivas. Conseguiu não só driblar a situação como se apropriar das vivências para inspirar sua arte. “Tive um bloqueio no traço. Não desenho quase nada. Mas não há nenhum trauma. Acabei desenvolvendo grande interesse pelo que é visual”, explica. A porta de entrada para o universo da criação foi à fotografia.

Percurso

A participação no Festival de Inverno da UFMG, em Diamantina, no início da década de 1980, foi crucial para a fotógrafa e artista multimídia Rochelle Costi. “Foi aí que comecei a me envolver em arte”, pontua. A experiência seguiu à temporada de um semestre em Belo Horizonte, período em que freqüentou os ateliês da Escola Guignard e também na UFMG. De volta a Porto Alegre, iniciou processo de criação de instalações a partir de objetos que colecionava. Sua estréia numa mostra individual, em 1983, aconteceu com Tentativa de Vôo, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul. A mostra foi conseqüência de seu período de pesquisa em Minas Gerais.
A experiência abriu-lhe caminhos para expor em outros estados. “Sempre trabalhei de forma orgânica”, lembra. Em 1991 foi estudar em Londres, na Inglaterra. A volta ao Brasil coincidiu com a ampliação pelo interesse de sua obra. Entre 1997 e 1999, participou das 6ª e 7ª Bienais de Havana. Ainda em 1997, recebeu o Prêmio Marc Ferrez de Fotografia da Fundação Nacional de Arte (Funarte). Em 1998, expôs na 24ª Bienal Internacional de São Paulo.