Isaura Pena - Exposição Coimbra

LONJURAS ISAURA PENA

27.Mai.2017


Ou um caminho que se (per)corre devagarinho para poder medir os passos desde que ali se chega até que dali se há-de partir.
Na chegada, a sala toda conflui para uma abertura (im)possível, apenas (pre)sentida pela artista.
Um clarão único? Uma figura perfeitamente traçada em contraponto à hegemonia (harmonia?) das paredes (todas) iguais.
Na segunda sala, fosse uma recepção onírica de projectos, encontramos a série de «desenhos não reclamados» retomados, refeitos, alinhados como se à espera de uma outra entrada na vida…
Depois a porta, as portas, as portas todas por que se vai passando, por que passámos e vão ficando para trás. Vão? Talvez não… nada em vão. Perseguem-nos. Transformam-se. E a artista mede, mede cada encontro no re-encontro do seu próprio tamanho com as alturas das entradas, saídas de si para o mundo e a obra acontece.
Chega-se ao 2.º piso e o desalinhado insuspeito da janela que se projecta na porta faz-se sombra invertida, contrário de sombra, bem vincada no chão. Convite para passar. Medindo o gesto. Cada pé. Cada nova mirada, tomada de vista.
Sai de novo, entra outra vez. Outra sala, outra luz. Marcado que tinha sido o chão, na parede — outra perspectiva — se lhe reconhece o reflexo numa escala em tudo nova, onde a razão de 1,35 se descobre ser a solução. 1, 3, 5, «noves fora» nada. Tudo! E os desenhos. O desenho. Sempre medidos, bem medidos na (des)medida que é a criação.

Maria Jorge Ferro

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