P.Motta - Naufragio calado 0003

Pedro Motta na CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais

05.Jan.2017

Estado da Natureza
Curadoria José Roca

Em sua individual na CâmeraSete, Pedro Motta propõe novos desmembramentos de sua pesquisa sobre a tênue linha entre elementos naturais e o comportamento humano, seus atritos, convergências e suas relações.
“Flora Negra é uma grande instalação, fruto de uma residência na Colômbia em 2015, Flora Ars + Natura, Motta desenvolve uma narrativa entre duas séries de trabalhos. Cria um diálogo com imagens fotográficas e desenhos a grafite onde o ator Klaus Kinski é representando por dois personagens icônicos em filmes de Werner Herzog: Fitzcarraldo (1982) e Aguirre a Cólera dos Deuses (1972). Esses dois personagens, exploradores e aventureiros, adentram no território amazônico penetrado com motivações muito diferentes, mas com uma determinação perto do delírio. Digitalmente montadas na paisagem de Honda e ao redor de Bogotá, eles parecem apontar para a dificuldade inerente a todo explorador (incluindo o artista) compreender um território até então desconhecido, sem cair na armadilha de exotismo.” (Trecho extraído da apresentação de Jose Roca, no site da Flora, 11/2015). Sobre essas fotografias sobressaem 6 caixas com plantas artificiais totalmente cobertas de preto, sugerindo uma situação de aprisionamento e claustrofobia.
Cria-se, assim, uma narrativa de dois tempos e duas histórias distintas, mas com o propósito de convergir e discutir ações oriundas de transformações da natureza, seus limites e suas potencialidades.

Falência # 2, 2016, série criada especialmente para o espaço, são imagens de diversos tipos de erosões resultantes das águas das chuvas. Suas formas são provenientes de um tempo oculto em que a natureza demonstra sua força e beleza pela destruição. Neste momento a terra esta totalmente desprovida de estrutura, criando uma espécie suturas escultóricas. Neste trabalho a metodologia empregada na construção da imagem final é resultante de outra série, o Espaço Confinado. Pequenas quantidades de terra são inseridas dentro da moldura, uma vez que no Espaço Confinado a sensação de confinamento e claustrofobia era aparente, agora, em Falência#2, é como o espaço superficial da foto se esvai para um lugar no campo do infinito, uma espécie de ampulheta.

Fazendo uma interligação na exposição, especificamente entre duas series, Falência e Sumidouro, Paisagem Transposta é composta por diversas imagens de paisagens naturais provenientes de redutos naturais modificados pelo ação do homem. Pequenos galhos fazem a conexão entre estes espaços.

Composta por 12 imagens, a série Sumidouro, 2016, faz uma metáfora ao espaço em que foi concebido, o Rio das Mortes. Importante rio da região do Campo das Vertentes, famoso pelas histórias de garimpo e batalhas territoriais,

Naufrágio Calado, 2016, série composta por 12 imagens de grande formato segue o mesmo procedimento que o artista emprega em seus trabalhos. Manipulação digital e o confronto entre os elementos naturais e humanos. Barcos ressurgem de cemitérios de navios de uma região específica da Bretanha, Roscanvel e são inseridos em paisagens tomadas por erosões de grandes dimensões.

Finalizando a exposição é apresentado um pequeno trabalho intitulado Frutos Estranhos. De cunho referencial e afetivo, esta imagem provem de uma remota lembrança de quando o artista visitava com sua família a região da gruta da Lapinha, MG, importante sítio arqueológico brasileiro. Ao logo do caminho existia uma senhora, D. Lora, doceira espetacular, que decorava pequenas árvores do serrado com ovos, provenientes de suas feituras. Esta marcante imagem, impregnada de simbologia e lembrança culmina em uma tentativa de trazer um tempo passado no imaginário coletivo.

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