PAULO WHITAKER- PRINCIPIOS PECULIARES – MAIO 19


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A Celma Albuquerque Galeria de Arte apresenta a partir do dia 25 de maio a exposição individual do artista Paulo Whitaker.

O artista paulista, desde 1984, participa de exposições importantes na cena nacional e internacional. Podemos citar, entre elas, a 20ª e 25ª Bienal de São Paulo em 1989 e 2002 respectivamente.

Neste período aparecem em suas obras linhas, massas coloridas de contornos irregulares, formas curvilíneas e geométricas sobre um fundo monocromático.

A partir daí, essas formas passam a se agrupar e se justapor, e figuras geométricas são acrescentadas à composição.

“Recentemente assisti a nova série de David Lynch, Twin Peaks, com o mesmo prazer que assisti Cremaster (Matthew Barney) muitos anos atrás. Trata-se de sentar, tocar o play e ser levado por alguma coisa que eu não compreendo em sua totalidade, mas ainda assim desfruto as imagens, a estranheza, os personagens, as situações criadas, os diálogos, os cenários e adereços, a maneira como se movimenta a câmera, e como é apresentada a estoria para alguém (eu mesmo, neste caso), despreocupado com ela e interessado em todo o resto. Claro que Cremaster e Twin Peaks não tem intenções comuns. Mas tem esta maneira “hyper creative” e sugestões de atmosferas e estados mentais. E uma distante storyline alinhavada ao fundo. Como nas músicas da banda Sonic Youth. Não se compreende, mas daí você encontra o fio, apenas para perdê-lo outra vez.

Assim, ando buscando em meus trabalhos, imagens que me deixem em um estado de suspensão, desconforto e alguma plenitude. Se temporária ou permanente, o tempo me vai dizer.

Nestes últimos 30 anos meu trabalho em pintura passou por diferentes momentos, sempre fruto de minhas certezas, dúvidas, inquietações e experiências. O acaso foi meu amigo, ímpetos destrutivos também.

Os primeiros trabalhos que fiz que gosto de lembrar são de 1989. Desde então, vejo que as questões conceituais e estéticas foram se resolvendo sempre sobre uma espinha dorsal: a Figura e o Fundo, o rebaixamento das possibilidades narrativas e literárias, a construção de um vocabulário pictórico sem significados atribuídos agregados, o uso, às vezes comedido e às vezes rasgado, da cor, as formas que se desdobram e se arrastam, as maneiras de estruturar as composições, tudo na tentativa de chegar a um resultado que somente a pintura me leve a ele.”