THOUGHTS OF DUST – MAI/JUN 2021


Nuno Ramos - Celma Albuquerque Galeria de Arte Contemporânea

Crédito imagem: Daniel Mansur

Nuno Ramos - Celma Albuquerque Galeria de Arte Contemporânea

Crédito imagem: Daniel Mansur

Nuno Ramos - Celma Albuquerque Galeria de Arte Contemporânea

Crédito imagem: Daniel Mansur

Nuno Ramos - Celma Albuquerque Galeria de Arte Contemporânea

Crédito imagem: Daniel Mansur

Nuno Ramos - Celma Albuquerque Galeria de Arte Contemporânea

Crédito imagem: Daniel Mansur

Celma Albuquerque Galeria de Arte Contemporânea

Crédito imagem: Daniel Mansur

Thoughts of Dust

A Celma Albuquerque inaugura nova exposição individual do artista plástico paulistano Nuno Ramos. Essa será a terceira individual do artista na galeria. Em 2012 apresentou uma grande instalação composta por três estruturas que remetiam às casas em que viveu na infância, reproduzidas ali em tamanho natural, numa alusão a um grande alagamento que deixou à vista somente seus telhados. A monumentalidade dessa exposição contrasta com a mostra atual e pode surpreender o público acostumado às grandes instalações do artista e à pluralidade de sua produção em outros campos das artes: filmes, livros de poesia e prosa, além de músicas compostas em parcerias com outros artistas. “Thoughts of Dust”, como foi batizada a exposição, trata-se de uma série de desenhos em carvão, pastel seco, grafite e encáustica, denominada “Antígona – Segundo Ato” realizada a partir da interpretação da obra “Antígona” de Sófocles. A série faz menção à batalha de Antígona (filha de Édipo) contra o Estado, pelo direito de dar a seu irmão um funeral digno.

Os desenhos do artista parecem não se conter com a superfície do papel e travam um embate constante entre as formas e o espaço que os abriga. Gestos mais vigorosos mesclam-se a outros delicados enquanto formas geométricas recortadas sobrepõem-se à grandes manchas em tons azulados, acinzentados e avermelhados criando uma espacialidade liquefeita. Essa profusão de formas, manchas e traços cria uma tensão entre os elementos os quais parecem estar em constante movimento até encontrarem um falso apaziguamento, um equilíbrio no caos. Esse caos sempre esteve presente nas obras do artista, tanto como um elemento catalisador que move tudo em seu entorno, quanto em sua própria essência e funcionamento. “A obra deve arrastar tudo consigo”. Essa frase do artista parece resumir sua produção.

A mostra confirma mais uma vez uma das características mais marcantes de sua produção: a presença da literatura como mote para a fabulação de suas obras. O desenho revela o artista que reside na literatura.

A exposição é composta também pelo vídeo “Luz Negra”, realizado em parceria com o também artista e diretor Eduardo Climachauska, em que caixas de som são depositadas em covas e cobertas por terra. A música “Juízo Final”, de Nelson Cavaquinho, na voz do próprio, é amplificada pelas caixas atravessando a camada de terra e produzindo, segundo Nuno, “uma curiosa fisicalidade devido ao abafamento e rouquidão proporcionados pela ausência de agudos”. A presença do vídeo na exposição reafirma o caráter multifacetado da obra de Nuno Ramos, proporcionando entre as obras da exposição mais uma camada de significados e rebatimentos.

Poderíamos pensar na relação entre a materialidade versus a imaterialidade trazidos pelos desenhos e o vídeo. Os desenhos, tanto pelas suas presenças físicas no espaço expositivo quanto pelos materiais utilizados, operam em oposição e complementariedade à imaterialidade da música que trava, no vídeo, uma luta “visível” contra a materialidade. Música e desenhos se instauram também pelo viés da visibilidade e invisibilidade produzidas, seja pela ausência das caixas de som – veladas ao olhar do espectador –, seja pelas camadas e sobreposições nos desenhos que dissipam as formas.